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Gastos dos planos de saúde atingem o maior patamar desde o começo da pandemia

Em julho, despesas para cobrir o atendimento aos beneficiários consumiram 82% das receitas, chegando a R$ 13,5 bilhões; média por trimestre iguala período pré-Covid

31 de Agosto de 2021 - Mercado

Os gastos das operadoras de planos de saúde em julho bateram recorde desde o começo da pandemia. Em julho, a sinistralidade – ou seja, o índice que mostra quanto das receitas dos planos de saúde foi consumido para cobrir as despesas com o atendimento dos beneficiários – atingiu 82%, o maior desde que o coronavírus chegou ao Brasil. Os dados foram apresentados no Boletim Covid-19 (julho), divulgado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

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A sinistralidade no segundo trimestre do ano e a projeção para este terceiro trimestre ficam em 82%, sete pontos percentuais a mais que o primeiro trimestre. Assim, o índice se iguala ao terceiro trimestre de 2019 (pré-pandemia). 

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A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) vê com preocupação a escalada de gastos. “Os números são reflexo do que o setor vem falando desde o fim do ano passado: mesmo com a pandemia, já havia uma retomada dos procedimentos não urgentes. Essas despesas, somadas aos gastos necessários para o tratamento da Covid-19, desencadearam um alto índice de despesas às operadoras de saúde, que podem comprometer financeiramente a operação de muitas delas, sobretudo as de pequeno e médio portes”, pondera a diretora executiva da FenaSaúde, Vera Valente.

A FenaSaúde (que representa os 15 maiores grupos de planos médicos e exclusivamente odontológicos do país) fez um levantamento sobre o quanto essas operadoras já investiram para custear o tratamento de Covid para seus beneficiários, de março de 2020 até junho deste ano. São R$ 16,8 bilhões pagos a hospitais, laboratórios e profissionais de saúde somente com exames de Covid e internações hospitalares (com ou sem necessidade de UTI).

Se forem considerados os atendimentos a pacientes com outras doenças que não o novo coronavírus, esse valor passa de R$ 62 bilhões, incluindo os custos de cirurgias eletivas e internações não Covid. Essa conta não considera itens como terapias e consultas.

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Vera Valente ainda faz mais uma ressalva em relação ao futuro. “A junção da diminuição das restrições sanitárias em muitos Estados brasileiros com o aumento dos casos de Covid-19 ocasionados pela variante delta, infelizmente, vai obrigar muitas pessoas a procurarem atendimento médico. Ou seja, a última metade do ano se projeta bastante preocupante para o setor.”

Aprovação em alta

Os planos médicos de saúde ganharam 1,7 milhão de novos beneficiários entre junho de 2020 e julho de 2021 em todo o país, segundo dados da agência reguladora. Ou seja, a pandemia acentuou a necessidade dos brasileiros de contarem com o atendimento de qualidade oferecido pelos convênios médicos.

Mas, além de volume, os planos de saúde conseguiram, no último ano, algo ainda mais importante: a avaliação positiva recorde dos serviços prestados.

É o que indica um estudo realizado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), que mostrou que 84% dos beneficiários estão muito satisfeitos com os planos de saúde. Em 2019, esse índice era de 80%. Dentre os quesitos mais bem avaliados está o que se refere à cobertura dos planos de saúde, cuja aprovação passou de 15%, em 2019, para 25%, em 2021.

Para a FenaSaúde, a melhora na aprovação se deve, sobretudo, às iniciativas adotadas pelas operadoras de saúde no enfrentamento à pandemia, com esforços constantes por salvar vidas, desde atendimentos de emergência até o uso da telemedicina.  “Isso só foi possível graças ao direcionamento de equipes e recursos para atendimento à Covid, capacitação, treinamento, além de investimentos na ampliação de leitos e na construção de novos hospitais”, explica a diretora executiva da FenaSaúde.

 

 

 

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