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Pico da pandemia e atendimentos não urgentes levam planos de saúde ao maior gasto da história

28 de Abril de 2021 - Webinar

O primeiro trimestre deste ano foi o período de maior uso do sistema de saúde suplementar da história, afirmou a Diretora Executiva da FenaSaúde, Vera Valente, em debate online promovido nesta terça-feira (27/04) pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed). O crescimento da demanda por atendimento vem se acentuando desde o final do ano passado e se tornou bastante acelerado no início deste ano.

Em março, por exemplo, foram emitidas 37% mais autorizações para exames e terapias que um ano antes, no início da pandemia. Esse aumento é resultado do pico da Covid, mas também de procedimentos para outras doenças, que em muitos casos não eram urgentes. Chamados de eletivos, eles acabaram ocupando leitos, profissionais de saúde e insumos no momento mais crítico da pandemia. “Os pedidos para procedimentos eletivos são os mais numerosos desde 2019, quando não se falava em pandemia. É importante analisar a situação da saúde suplementar como um filme e não como a foto de um momento apenas. E na pandemia mais do que nunca, porque as mudanças são muito rápidas e frequentes”, disse ela.

“A partir do final de 2020, tivemos um aumento expressivo do número de cirurgias eletivas, algumas nem tão urgentes, e um recrudescimento absurdo da pandemia, que não era esperado. Esses dois fatores concorrendo causaram um impacto enorme nos pedidos do primeiro trimestre deste ano”, completou. Segundo a diretora executiva da FenaSaúde, é papel da saúde suplementar estar estruturada para dar conta dessas duas demandas e isso está acontecendo, mas é importante também que as análises contemplem todo esse cenário. 

O debate sobre os novos impactos da pandemia na saúde suplementar foi a primeira edição dos Diálogos Médicos 2021, série produzida pela Abramed. Também participaram o Diretor do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed e Gestor Médico no Grupo Sabin Medicina Diagnóstica, Alex Galoro; e o Presidente Executivo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), Carlos Gouveia. A mediação foi feita por Leandro Figueira, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed.

Testes para covid-19

A incorporação dos testes para detectar a covid-19 no rol de procedimentos cobertos pelos planos de saúde também foi assunto do debate. Vera Valente explicou que a revisão do rol se repete a cada dois anos e que, no mais recente, 69 novos procedimentos foram incorporados. A cobertura dos exames para detecção do coronavírus e para pesquisa de anticorpos, no entanto, foi determinada pela Agência Nacional de Saúde (ANS) em caráter excepcional, fora do processo de atualização do rol, já em março de 2020. Desde então, foram cobertos pelas operadoras mais de 3,8 milhões de testes RT-PCR e mais de 700 mil exames sorológicos, incluídos no rol em junho.

“Ter mais opções à disposição é sempre bom. Mas nunca deve se deixar de olhar um aspecto muito relevante para o associado: o aumento dos custos”, reforçou a diretora executiva da FenaSaúde. Apenas esses 69 novos procedimentos poderão custar mais até R$ 2,4 bilhões por ano ao sistema suplementar. “Por isso, nós defendemos que toda incorporação de nova tecnologia ou procedimento deve ser precedida por rigorosa Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS). É preciso ser muito seletivo, adotar as inovações que são mais eficazes nos resultados para os pacientes. Afinal, quem paga a conta são os próprios beneficiários, pois o sistema é mutualista.”

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